ANA ROSSI

Entro em cena com novo poema para lhes contar

a história longa de paulo freire

esse pedagogo brasileiro ímpar

que percorreu o mundo

feito uma pegada

forte como um trovão

que deixou marcas em nosso coração

Aqui volto em cena para lhes contar

a trajetória de Paulo Freire

desta vez ao exilar-(se)

exilar significa “degredo

saída”, “deportação

quando alguém tem que fugir

do seu lugar para não

colocar sua vida em questão

Assim paulo freire viajou

saiu do Brasil em setembro

do ano de 1964

pois aqui não havia mais

nenhuma condição

de seguir com a alfabetização

Ele foi para a Bolívia

em La Paz

depois seguiu para Santiago

em abril de 1969 foi convidado

para lecionar nos Estados Unidos

atuou também na Suíça no

Conselho Mundial das Igrejas

foi quando escreveu suas

duas contribuições

Educação como prática da Liberdade

e Pedagogia do Oprimido

Faço minhas as palavras de paulo freire

vindas da conversa com frei betto

“Para mim, o exílio foi profundamente pedagógico.

Quando exilado, tomei distância do Brasil,

comecei a compreender-me e a compreendê-lo melhor.”

Eu também nesse poema

declaro que vivi o exílio

algo doloroso que

quando reconstruído

transforma a dor em flor

e nos ensina a pensar

pois, como diz paulo freire

foi exatamente ficando longe dele [do Brasil],

preocupado com ele,

que me perguntei sobre ele.

Assim também concordo

com tais afirmações

quando se toma distância

é aí que cresce a compreensão

quando estamos muito dentro

do que vemos

fica díficil uma nova significação

a distância – também metodológica –

tende a afugentar toda confusão

e ver com mais clareza

o que é muito próximo do nosso coração