CÉLIA CRISTINA ROSSI e MARIA JOSÉ DOS SANTOS ROSSI

Francisca Edwiges Neves Gonzaga, a conhecida Chiquinha Gonzaga, nasceu no Rio de Janeiro em 1847 durante a Monarquia. Era filha de um militar ilustre do Império José Basileu de Neves Gonzaga e de uma filha de escravos alforriados, Rosa Maria Neves de Lima.

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O casamento dos seus pais não fora aceito pela família, mas o seu pai casou-se com a mãe dela quando ela nasceu e assumiu a filha dando-lhe o nome de família. Embora o pai tenha assumido a educação da filha tardiamente, ela aprendeu português, cálculo, francês e também religião, com o Cônego Trindade, amigo da família.

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Em ambiente refinado, Chiquinha, como era chamada pelos pais, logo aprendeu a tocar piano. Estudou piano com o maestro Elias Álvares Lobo. Desde cedo frequentava – rodas de lundu, umbigada – e outros ritmos oriundos da África. Aos 11 anos compôs a sua primeira obra, uma cantiga de Natal – “Canção dos Pastores”.

Aos 16 anos foi obrigada pelo pai a casar-se com um oficial da Marinha Mercante, Jacinto Ribeiro do Amaral, 8 a 10 anos mais velho, não se sabe ao certo. O seu pai lhe deu como presente de casamento um piano. Seu marido, no entanto, não apreciava as suas qualidades musicais. Teve 3 filhos em dois anos de casamento. Estavam sempre viajando, pois, moravam no navio em que seu marido trabalhava.

Como ela não apreciava a vida de embarcada e sem poder fazer música, resolveu se separar. Esta separação lhe valeu muito sofrimento, pois ela foi processada por abandono do lar e até por adultério. Apaixonou-se por um engenheiro João Batista de Carvalho e chegou a ser lavada a um Tribunal eclesiástico por abandono do lar. Ela tinha 18 anos.

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A família proibiu-a de levar seus três filhos durante o processo; ficou apenas com a guarda do filho mais velho, João Gualberto e seu marido ficou com os outros dois, Maria do Patrocínio e Hilário. Chiquinha Gonzaga sofreu muito com a separação dos dois filhos.

Apesar disso não desistiu de sua vocação.

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A necessidade de adaptar o som do piano ao gosto popular rendeu-lhe o reconhecimento como a primeira compositora popular do Brasil.

A sua composição “Atraente”, uma polca lhe facultou grande sucesso em 1877, seguida das composições “Sultana” de 1878 e “Camila”, de 1879. Nessa época ela segue seus estudos musicais com o maestro Artur Napoleão.

Todo este processo levou a um segundo casamento frustrado. O seu esposo a traía constantemente e ela decidiu se separar novamente, sendo que dessa vez foi proibida de ficar com aguarda da criança, fruto desse casamento. Continuou vivendo com o seu primogênito. Em 1885, divorciada pela segunda vez Chiquinha era uma artista consagrada.

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Lidando com a maldição familiar, as condenações morais e sociais, Chiquinha Gonzaga obteve muito sucesso com as suas composições e não parou mais. Compôs mais de 2.000 músicas em gêneros variados – valsas, polcas, choros, serenatas, tangos e outros. Ela dava nomes indígenas às suas composições. Tupã/ Aguará/ Caobimpará/ Ary/ Aracê/ Timbira/ Tamoio/ Tupiniquim, são algumas das suas composições.

A partir da repercussão de sua primeira composição impressa resolveu lançar-se ao teatro.

Estreou no teatro, em 1885, com a trilha sonora para a opereta “A Corte na Roça”, com texto de Palhares Ribeiro, apresentação no Teatro Imperial com a companhia teatral portuguesa Souza Bastos. Pela primeira vez foi chamada de maestrina, adjetivo que segundo os seus biógrafos, não existia na época.

O violão era considerado instrumento de boêmios, coisa de pessoas pobres e desclassificadas. Pela primeira vez, Chiquinha Gonzaga regeu uma orquestra de violões no Imperial Teatro S. Pedro, em 1889, inovando tanto no conceito quanto no uso do instrumento em orquestra.

Finalmente, aos 52 anos apaixonou-se por um jovem português de apenas 16 anos. Para evitar novo escândalo, Chiquinha Gonzaga o adotou como seu filho e viveram juntos por 36 anos até a sua morte. Poucas pessoas sabiam da sua relação com este jovem, uma relação de amantes.

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Em 1911, Chiquinha estreou o seu maior sucesso teatral –“FORROBODÓ” – que chegou a 1.500 apresentações, sendo recordista desse gênero no Brasil. Esse foi o primeiro musical apresentado pela Rede Globo, estreando na TV no Programa “Musicalíssima”, em abril 1965.

AS LUTAS DE CIQUINHA GONZAGA PELOS DIREITOS AUTORAIS

Em uma viagem a Berlim, encontrou várias partituras de sua obra sendo utilizadas sem a devida autorização. Batalhou bastante para receber os direitos autorais. Não se sabe se ela conseguiu. De volta ao Brasil, criou a Sociedade Brasileira de Autores Teatrais (SBAT) ocupando a cadeira número 1. Sendo assim a primeira mulher a lutar pelos direitos autorais.

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MILITANTE ANTI-ESCRAVAGISTA

Militante a favor da causa dos escravos pela liberdade, sendo ela própria afrodescendente, sua atitude era condizente com as suas origens do lado materno. Afirma-se que, vendendo a partitura da música “Caramuru”, ela teria comprado a alforria de José Flauta, um escravo que ela desejava tê-lo como parceiro artístico, (de acordo com UOL Educação).

NACIONALISTA

Defendia a música popular brasileira que, na sua época, não era considerada arte. Os ricos e empoderados apreciavam apenas composições europeias e torciam o nariz para qualquer expressão musical de brasilidade. Ela ressaltava sempre o aspecto nacional de suas composições, incluído títulos como já citamos acima.

O TANGO

Composto por ela – Gaucho– mais conhecido como “Corta Jaca” foi exibido no violão em 1914 no Palácio do Catete pela primeira dama Dona Nair de Teffé, artista que tornou-se primeira-dama quando casou-se com o então presidente Hermes da Fonseca. Por ser amiga,  Chiquinha convidou-a para se apresentar em saraus no palácio do Catete que era, na época, a morada e o escritório da família presidencial. O episódio ficou conhecido como “a alforria da música popular brasileira”, por ser a primeira vez executada no salão elegante da residência presidencial.

PRIMEIRA MARCHA CARNAVALESCA

Ó abre alas” foi considerada como o hino nacional de carnaval.

A TRAJETÓRIA DE CHIQUINHA GONZAGA

Chiquinha Gonzaga foi uma mulher extraordinária, tanto pela sua situação de vida como pela sua luta, e sobretudo pela sua audácia e coragem nas lutas que travou com a sociedade escravocrata, patrimonialista, racista e machista da época.

De fato, a compositora e regente carioca Chiquinha Gonzaga (1847 – 1935) destaca-se pelo seu pioneirismo na história da cultura brasileira e na luta pelas liberdades no país. A coragem com que enfrentou a opressora sociedade patriarcal, tendo criado uma profissão inédita para uma mulher em fins do século XIX e início do século XX, causou escândalo em seu tempo.

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Atuando no rico ambiente musical do Rio de janeiro do Segundo Reinado, no qual imperavam polcas, tangos e valsas, Chiquinha Gonzaga não hesitou em incorporar, sem preconceitos, ao seu piano toda a diversidade que encontrou no Brasil.

Como maestrina atuou em 77 peças teatrais e compôs 2.000 obras remarcáveis. Foi autora da opereta “Juriti”, de Viriato Corrêa.

Em 1934, aos 87 anos, escreveu seu último trabalho, a partitura da opereta “Maria”. Ela faleceu aos 87 anos de idade um dia antes de ver a sua obra “Ó abre alas” ser tocada e cantada no carnaval de 28 de fevereiro de 1935.

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Assim terminou por produzir uma obra fundamental para a formação da música e da cultura brasileira, pela primeira vez apresentada ao grande público por meio do Acervo Digital Chiquinha Gonzaga.

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Letra da música “Ô Abre Alas” de Chiquinha Gonzaga:

Ô Abre Alas Que eu quero passar.

Peço licença pra poder desabafar.

A jardineira abandonou o meu jardim.

Só porque a rosa resolveu gostar de mim.

A jardineira abandonou o meu jardim.

Só porque a rosa resolveu gostar de mim.

Bis

Eu não quero a rosa.

Porque não há rosa que não tenha espinhos.

Prefiro a jardineira carinhosa.

A flor e os seus carinhos

Ô abre alas…. bis

Assista a Orquestra à base de Sopro com “Gaúcho”:

REFERÊNCIAS:

  1. “A biografia das 20 pessoas mais importantes para a História do Brasil”. Site – e-Biografia.com/pessoasimportantesbrasil/; Consultado em 30/08/2021
  2. Acervo musical Chiquinha Gonzaga
  3. Fuks, Rebeca “os 33 maiores compositores brasileiros de todos os tempos”. Em Site – e Biografia: biografias de famosos, resumo da vida, obras, carreira e legado. Consultado em 30/08/2021
  4. “Ô abre alas que ela quer passar! – 16 curiosidades sobre a vida polêmica de Chiquinha Gonzaga”. Em Site e Biografias
  5. https://www.google.com/search?q=CHIQUINHA+GOZAGA&oq=CHIQUINHA+GOZAGA&aqs=chrome..69i57j35i39i362l8…8.3812j0j15&sourceid=chrome&i e=UTF-8 – Acesso em 20/08/2021.
  6. https://chiquinhagonzaga.com/wp/biografia/- Acesso em 20/08/2021. ◦ https://pt.wikipedia.org/wiki/Chiquinha_Gonzaga – Acesso em 21/08/2021. ◦ https://www.amazon.com.br/Chiquinha-Gonzaga-Uma-Historia-Vida/dp/8501647136- Acesso em 20/08/2021.
  7. https://www.google.com.br/search?q=ESTILO+MUSICAL+DE+CHIQUINHA+GONZAGA&sxsrf=ALeKk03BXYHjagC0n6RCMp7O4VYpYTSd3g%3A16295933908 42&source=hp&ei=Lp8hYY2IManW1sQP3NG7YA&iflsig=AINFCbYAAAAAYSGtPk8w7vMpAhSzTz7edSpAOcf3JcM0&oq=ESTILO+MUSICAL+DE+CHIQUINHA+ GONZAGA&gs_lcp=Cgdnd3Mtd2l6EAMyBQgAEIAEOgQIIxAnOgUILhCABDoICAAQgAQQsQM6DgguEIAEELEDEMcBEKMCOg4ILhCABBCxAxDHARDRAzoLC C4QsQMQxwEQowI6CAguEIAEELEDOgsILhCABBCxAxCDAToLCAAQgAQQsQMQgwE6CAguELEDEIMBOgUIABCxAzoHCAAQgAQQCjoLCC4QgAQQxwEQ rwE6BggAEBYQHlC-BlirSWDvTWgCcAB4AIABlAGIAeYlkgEEMC4zN5gBAKABAQ&sclient=gws-wiz&ved=0ahUKEwiN17- 5tMPyAhUpq5UCHdzoDgwQ4dUDCAc&uact=5 – Acesso em 21/08/2021.
  8. https://www.google.com/search?q=CHIQUINHA+GONZAGA&sxsrf=ALeKk01_– owrlm4GVDHf9lOSComgzkcEA:1629487992878&tbm=isch&source=iu&ictx=1&fir=HgrswzMtkLRQUM%252CnvjspcLVECqhoM%252C%252Fm%252F02xwz2&v et=1&usg=AI4_-kRZEs8s2ilVnQOoUk0tFqceryadJw&sa=X&ved=2ahUKEwjMjeznq8DyAhVDqpUCHZFyBs0Q_B16BAgnEAE#imgrc=lwkXc6PFRWxn0M- Acesso em 20/08/2021.
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  10. Em:  https.//letras.mus.br/Chiquinha-gonzaga/242251/, consultado em 05/09/2021 às 11:13

Brasília, 12 setembro de 2021