ANTONIO MARTINS

Car@ amig@,

Volto a fazer contato para contar novidades a respeito do andamento do projeto Resgate, sobre o qual você tem sido informado desde o início. As notícias são boas.

A partir de inúmeras contribuições, há uma nova versão da estrutura básica da proposta: um conjunto de ideias-força (agora 16) para superar os longos anos de retrocesso e mudar em profundidade o Brasil. O site que abrigará o projeto – suas entrevistas, textos e vídeos – está sendo construído e ficará pronto em poucas semanas.

Para poder processar as múltiplas opiniões, adiamos para o julho o início da série de entrevistas em que debateremos em profundidade os 16 temasPorém, começarão antes (já nesta segunda-feira, 21/7, segunda-feira) os diálogos preliminares que apresentarão o projeto ao público. Veja os detalhes e, na sequência, as formas de participar desde já:

a) Dezesseis ideias-força:

A partir das notas enviadas pelos convidados iniciais do projeto – você e as demais pessoas a quem esta mensagem é destinada (veja os nomes ao fim) –, parte das 12 ideias-força iniciais foi reformulada.

Incluíram-se dois novos temas: Segurança Pública e Relações Internacionais. Dois outros foram desdobrados: Renda Cidadã, que estava incluída em Trabalho, agora abre um tema específico, onde se discutirá também o Enfrentamento das Desigualdades (inclusive com Reforma Tributária) e o Combate à Fome. Outro capítulo tratará da Reforma do Sistema Financeiro. (Re)Construção de uma rede de empresas públicas, que estava combinada com este tema, terá também tratamento próprio. Houve reformulação importante no tema da Reforma Urbana e nos subtemas da ideia-força 1 (Ruptura radical com as ideias de “austeridade” e “ajuste fiscal”).

As novas versões das agora 16 ideias-força iniciais podem ser vistas no documento anexo. Vale lembrar que são provisórias: críticas, ampliações e alterações são bem-vindas e desejáveis.

b) Site para abrigar textos e vídeos:

O projeto inicial previa que, ao longo de 12 meses (de julho de 2021 a junho de 2022), as 16 ideias-força seriam desenvolvidas em períodos específicos, por meio de uma série de entrevistas com ativistas e pensadores que se dedicam a cada tema. A cada tema corresponderia um mês, durante o qual seriam realizadas três entrevistas de desenvolvimento. 

A ideia essencial se mantém. Porém, as primeiras reações à proposta sugeriram que, além deste período mais intenso, o desenvolvimento das ideias-força deve se dar ao longo de todo o processo. No cronograma inicial, por exemplo, o tema das Empresas Públicas seria tratado em 2022. No entanto, a ameaça de privatização da Eletrobrás e os riscos de apagão, provocados pela venda e desarticulação do antigo “sistema elétrico” (durante o governo FHC) sugerem abordá-lo, de alguma maneira, desde já. Uma forma de fazê-lo é reunir e disponibilizar textos a respeito.

Para isso, estamos construindo, em Outras Palavras, um site específico para tratar do Resgate. Lá, haverá espaço para publicar, desde já, textos, vídeos, indicação de livros. Vem daí o primeiro convite desta mensagem. Gostaríamos de contar com suas sugestões. Vale material produzido por você ou por outr@s autor@s. Vale, também, sugerir nomes de possíveis entrevistados sobre cada tema.


 c) Novo cronograma:

Os ajustes no projeto, descritos acima, consumiram tempo. Por isso, adiamos o início do desenvolvimento das ideias-força para julho (ao invés de junho).

Em compensação, como há agora um número maior de temas a tratar, aceleraremos o ritmo das entrevistas de desenvolvimento de ideias-força. Vamos abordar oito delas em 2021 e oito no próximo ano (ao invés de apenas seis a cada ano), Em breve, estará pronto um novo calendário.

 d) Diálogos preliminares:

A conjuntura brasileira está se acelerando. Em 29 de maio e 19 de junho de 2021, houve manifestações em todo o país contra Bolsonaro. Crescem, ao mesmo tempo, os sinais de que o bolsonarismo não aceitará uma provável derrota nas urnas e tentará ações golpistas.

Seguem as milhares de mortes desnecessárias por dia, o desmonte do país, o empobrecimento e a precarização das maiorias – sem que haja, ainda, uma resposta adequada por parte da oposição institucional.

Avança a articulação de candidaturas à presidência e aos governos dos Estados. As pesquisas indicam que, como tem ocorrido na América Latina nos últimos dois anos, as chances de vitória de candidatos democráticos e de esquerda são reais e crescentes.


Este cenário complexo e contraditório, cheio de riscos e de possibilidades, exige ampliar o debate nacional. Requer, em particular, algo a que o Resgate se propõe: construir um novo horizonte político. Evidenciar que o país não está obrigado a optar entre o horror do fascismo e a desconstrução nacional comandada, há quatro décadas, pelo capitalismo financeirizado. Aproveitar a brecha aberta pela crise do neoliberalismo fiscal para frisar que as sociedades não são impotentes para construir seu futuro. Pensar o Brasil numa perspectiva de vinte anos. Lembrar que o desenvolvimento das novas tecnologias pode tanto nos reduzir de vez à condição de produtores de commodities minerais e agrícolas quanto abrir espaço para a construção do que Bautista Vidal chamou de “civilização solidária nos trópicos”.

 Por isso, a partir desta semana, vamos iniciar uma série de Diálogos Preliminares do Resgate. Cinco deles já estão definidos e poderão ser acompanhados pelo Youtube (www.youtube.com/outraspalavrastv):

21/6 – Segunda, 20h
Apresentação do projeto
Antonio Martins, editor de Outras Palavras

22/6 – Terça, 20h
Sônia Fleury, 
Cientista Política | Fiocurz
SUS: Sua construção e potência transformadora: Como um grupo de pesquisadores políticos pensou, em plena ditadura, as bases do maior sistema de saúde pública do mundo.

23/6 – Quarta, 20h
Eduardo Fagnani, 
Economista | Unicamp
O Estado Social brasileiro para o século 21: Por que já é possível propor, na contramão do neoliberalismo, direitos e proteção social para todos – inclusive os precarizados.

24/6 – Quinta, 20h
Artur Araújo, 
Analista Político | FPA
Não haverá 2022 sem 2021: Ao invés de mergulhar em cálculos eleitorais, esquerda precisa defender a “pauta do povo”: vacina, R$ 600, empregos emergenciais e luta contra carestia.

25/6 – Sexta, 20h
Tiaraju D’Andrea
, Sociólogo | Unifesp
Sujeitas e sujeitos periféricos e as novas formas de política: Por que o discurso de mera denúncia das carências tornou-se impotente nas comunidades – e como recuperar o tempo perdido.
 

Os diálogos preliminares estender-se-ão até 7 de Julho – quando começa a agenda central do Resgate, voltada ao desenvolvimento das 16 ideias-força. 

Queremos tornar conhecidas, antes mesmo disso, duas noções essenciais: 

a) É possível derrotar o fascismo em 2022 ou antes – mas sua derrocada não pode significar uma mera volta ao “velho normal” – precisa estar associada à reconstrução nacional em novas bases;

b) No processo que nos levará até as próximas eleições, a sociedade civil não pode ficar restrita a depositar um voto (eletrônico…) em urna, ou à mera campanha por candidatos. Sua energia, hoje represada, precisa voltar-se a refletir sobre o país e a pensar e agir por sua transformação.

Como você pode participar

1. Indicando nomes:
Um dos elementos essenciais do projeto são suas entrevistas. Ao longo de um ano, as 16 ideias-forças, que propomos em versão-esboço, serão desenvolvidas em diálogos com ativistas e pensadores. São estes diálogos que permitirão dar consistência às ideias-força, corrigir seus erros, ampliá-las, torná-las parte do debate nacional. Os temas específicos das entrevistas estão definidos. Mas os debatedores, ainda não. Suas sugestões serão muito bem-vindas.

2. Propondo textos:
O segundo elemento básico do Resgate será um conjunto de textos sobre cada uma das 16 ideias-força. Este material estará disponível no site e será muito útil para o processo indispensável de formação política que o projeto pretende incentivar.

Mas este acervo ainda não está composto – inclusive porque o debate sobre as mudanças estruturais relacionadas à superação do neoliberalismo esteve muito enfraquecido, nas últimas décadas.

Precisamos de esforço coletivo para compor uma espécie de Biblioteca das Alternativas – textos, vídeos, indicação de livros – relacionada aos 16 temas. Você pode propor textos seus ou de outros autores. Basta sugerir. Outras Palavras cuidará das providências para publicação.

3. Opinando sobre as ideias-força:
Vale sempre lembrar: elas são apenas um ponto de partida, uma provocação ao debate. Por isso, suas opiniões sobre as 16 ideias-força, e em especial suas proposições concretas para melhorá-las são valiosas.

Aliás, a cada ideia-força corresponderá, ao final de seu ciclo de entrevistas, um texto-síntese, que poderá incorporar ainda melhor as colaborações.

É uma satisfação ter você entre os participantes do Resgate. Contamos com suas opiniões e aguardamos seu contato.

Abraço forte,

Antonio Martins
pela redação de Outras Palavras





Nota: Eis a relação d@s ativistas e pensadores já convidad@s para o Resgate (por ordem alfabética):

Adhemar Mineiro
Adilson Araújo (CTB)
Aílton Krenak
Aírton Paschoa
Alana de Moraes
Aldalice Oterloo
Alessandra Nilo
Allen Habert (Sua São Paulo)
Américo Cordula
André Lara Rezende
Andressa Pallanda
Angela Pappiani
Antonio Eleilson
Antonio Lafuente
Artur Araújo
Athayde Motta
Áurea Carolina
Bianca Santana
Bruno Torturra
Carla Ferreira
Carlos Gadelha
Carmen Silva (SOS Corpo)
Cazé Angatu
Celio Turino
Celso Amorin
Clemente Ganz
Concessa Vaz (OQ)
Daniel Conceição (MMT)
Danilo Pássaro
David Deccache
Dari Krein
Débora Nunes
Denise Carreira
Deivison Nkosi Faustino
Douglas Belchior
Edemilson Paraná
Eduardo Fagnani
Eleutério Prado
Élida Graziane (procuradora)
Ermínia Maricato
Esther Dweck
Evilásio Salvador
Felipe Calabrez
Felipe Coutinho
Fernanda Almeida (CAPS)
Fernando Siqueira (OQ)
Gabriel Cardoso de Faria (OQ)
Gabriel Medina
Geroncio Rocha
Gilberto Maringoni
Gilmar Mauro
Gonzalo Berrón
Graça Druk
Grazielle David
Hamilton Pereira
Henrique Costa
Henrique Parra
Hugo (OQ)
Ildo Sauer
Índio (Intersindical)
Isabel Cristina Lopes
Isabela Prado Callegari
Ivan Prado
Ivo Lesbaupin
Jean Tible
João Pedro Stedile
João Whitaker
Jorge Novoa
José Antonio Moroni
José Carlos Zanetti (Plataforma)
José Luís Fevereiro
José Miguel Saldanha (OQ)
Joyce Oliveira (OQ)
Juliane Furno
Julio Scheibel (OQ)
Katya Braghini
Ladislau Dowbor
Lauro Baldini (OQ)
Leda Paulani
Lenina Pomeranz
Leonardo Foletto
Luís Filgueiras
Luís Gonzaga Belluzzo
Luíz Basílio e Mazé
Luiz Eduardo Soares
Luiz Rena (OQ)
Marcio Pochmann
Marcos Barbosa de Oliveira
Maria Brandt
Maria de Fátima Rosar
Maria Mello (Plataforma)
Mathias Luce (Dependência)
Mauri Cruz
Mayra Pinto (OQ)
Mirian Duailibe (Alampyme)
Natalia Cruz (Cfemea)
Paolo Colosso (BR Cidades)
Paulo Capel Narvai (OQ)
Paulo Feldmann (Alampyme)
Paulo Gala
Paulo Galo
Paulo Kliass
Paulo Nogueira Batista Jr
Paulo Petersen
Pedro Celestino (Cl. Engenharia)
Pedro Rossi
Rachel Taveira (OQ)
Rafael Evangelista
Rafael Gomes (“Bantu”)
Ricardo Abramovay
Ricardo Neder
Ricardo Maranhão
Roberto Andres
Roberto Zwetsch (OQ)
Rodrigo Nunes
Rodrigo Savazoni
Rosangela Gil
Samuel Pinheiro Guimarães
Sergio Gorgen
Sergio Miletto (Alampyme)
Silvana Bragato
Silvio Almeida (via Waleska)
Simone Deos (Unicamp)
Tiaraju Pablo D’Andrea
Veridiana Zurita
Waleska Batista (Luiz Gama)
Wallace (OQ)
William Nozaki
Zezito de Oliveira Santos (OQ)