Luiz Rossi

O presente e o futuro que nos deixa inquietos e apreensivos.

Desenvolvo abaixo algumas considerações sobre os acontecimentos que nos aguardam até as próximas eleições em outubro de 2022. Os meses que antecedem as eleições serão de disputas políticas, de rasteiras executadas pelos conservadores, de incitamento à violência pelo presidente, bem como de paz exigida pela Oposição.

O STF decidiu: o ex-presidente Lula pode ser candidato.

Em decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal restabeleceu os direitos políticos do ex-presidente Lula no dia 15 de abril de 2021. Com essa decisão, o ex-presidente está em condições de candidatar-se a Presidência da República em 2022. É uma vitória imensa das forças democráticas e populares. Com essa decisão, o STF mostra que o que vale é a decisão jurídica e não a política, como foi estabelecida pela Lava Jato.

As tramas a fim de inviabilizar o PT e a Esquerda estão desmoronando.  De fato, a arquitetura política montada pelas burguesias brasileira e internacional está fazendo água. Em todo este período, vimos uma campanha política em que o ódio e as notícias falsas foram o carro chefe na tentativa de desmoralização dos governos petistas. Elas influenciaram milhões de brasileiros que, ingenuamente, votaram em Jair Bolsonaro levando-o à vitória.

A instalação da CPI torna-se o palco de disputa política.

O Senado Federal, no dia 13 de abril de 2021, recentemente a Comissão Parlamentar de Inquérito  (CPI) a partir de requerimento do senador Randolfe Rodrigues, da REDE. São 11 membros titulares e 7 suplentes. Nos próximos dias a CPI será instalada. As informações iniciais é que a maioria dos parlamentares Comissão é formada por membros da Oposição e de independentes.

A Comissão Parlamentar de Inquérito poderá ter um papel decisivo na inviabilização do governo do presidente Bolsonaro, por meio de  impeachment ou na aplicação de outro instrumento legal. Mesmo que não for retirado da  presidência, Bolsonaro chegará em 2022 fragilizado politicamente. A outra hipótese é que a CPI torne-se um mero palanque para acusações e disputas eleitorais, como afirmou recentemente o senador Randolfe Rodrigues.

Bolsonaro está empenhado, de todas as formas, na inviabilização desta CPI. No caso da CPI morrer na praia, a vitória será do próprio presidente e das forças conservadoras e reacionárias.

César Fonseca publicou em 17 de abril de 2021, no Portal Brasil 247, artigo cujo título é “CPI e impeachment podem adiar eleição e golpear Lula”. Em sua análise, o jornalista afirma que à medida que o ex-presidente Lula cresce na intenção de voto para presidente da República nas eleições de outubro de 2022, mais e mais, o presidente Bolsonaro e as forças de direita e de extrema direita, com o apoio da minoria burguesa, buscam uma fórmula para, eventualmente, adiar as próximas eleições presidenciais. O mote seria a própria CPI. O jornalista chama a atenção para uma possível crise, fomentada pelo Executivo, que desemboque em adiamento das eleições. Bolsonaro está tentando criar esta crise, atacando membros da CPI e a própria CPI com palavrões e ameaças.

Persistem as tentativas do Judiciário de inviabilizar a candidatura do ex-presidente Lula

Em paralelo, não desapareceram as manobras pretensamente jurídicas para tornar o ex-presidente inapto para disputar as eleições de 2022. Fato é que mesmo que o STF tenha decidido por uma maioria de 8×3, existem ministros que não estão satisfeitos com essa decisão. São magistrados, juízes e procuradores trabalhando incessantemente neste sentido, que continuam procurando formas de incapacitá-lo juridicamente.

A maioria do empresariado deseja inviabilizar o nome de Lula.

O projeto empresarial  – aquele das minorias burguesas –  é impedir que o ex-presidente tenha liberdade de ação se eleito. Como a maioria desses empresários são profundamente antinacionais e subordinados aos governos e capitalistas internacionais, um governo do petista pode ampliar os direitos políticos, econômicos, sociais e culturais da população, diminuindo a desigualdade social e mantendo relações diplomáticas, em nível de igualdade, com todos os países do mundo. Essa política diminuiria o poder político dessa minoria.

Embora já existam alguns setores empresariais estendendo a mão ao ex-presidente, a maioria o considera um perigo. Por isso, é preciso abatê-lo de uma forma ou de outra. Aqueles que defendem uma aproximação, partem do pressuposto que o ex-presidente teria mais condições políticas de restabelecer a paz no Brasil, com capacidade de controle da pandemia e retomar o desenvolvimento econômico.

Os militares das Forças Armadas respeitarão as instituições?

O presidente Bolsonaro militarizou os órgãos do Executivo federal com milhares de militares sendo nomeados em cargos técnicos e políticos em tempo em que destituiu quadros técnicos civis altamente competentes de suas funções. Colocou militares da ativa e da reserva, a quase totalidade com competência na área militar e não na civil. Vários desses militares ocupam hoje funções estratégicas políticas e técnicas em toda administração federal.

Como as Forças Armadas reagirão se as prévias eleitorais sinalizarem que o presidente Bolsonaro perderá a eleição de 2022? E se, de fato, for derrotado, os militares permanecerão quietos, respeitando as instituições ou partirão para o para golpe de Estado?

Para compreender o que acontecerá nos próximos meses é fundamental considerar que as Forças Armadas arrogaram-se (e arrogam-se) o direito, de serem, de fato, um partido político. Isto acontece na história do Brasil desde a proclamação da República: de fato, um partido político militar com armas, que é um absurdo, uma excrescência em um quadro democrático.

A questão está post: Será que Forças Armadas assumir-se-ão na condição de partido político de fato ou, pela primeira vez na história brasileira, começarão a despojar-se dessa condição de partido político, para se transformarem em uma instituição fundamental destinada à defesa da Pátria?

Jair Bolsonaro prepara milícias para ação futura

Com a vitória nas eleições de 2018, Jair Bolsonaro organiza grupos armados, clandestinos, recrutando policiais militares, membros das Forças Armadas e civis para serem utilizados quando considerar que essas milícias poderão resolver certos impasses políticos.

O Portal Intercept Brasil, em publicação de 17 de abril de 2021, está denominando essa organização estimulada pelo presidente, de “República Miliciana do Brasil” – RMB. Todas as manifestações realizadas pelo presidente desde a sua eleição tem essa mesma marca: a liberação de armas para a população civil. Mas quem compra armas se não a pessoa que tem dinheiro, os membros das organizações criminosas, o pessoal da extrema direita que deseja instalar uma ditadura no Brasil? Não seria mais razoável melhorar os salários, qualificar e dotar as polícias civis e militares de condições técnicas para serem os guardiões das populações civis? 

Esse aparato miliciano é o grande ponto de interrogação para os meses até as eleições e, mesmo, durante as eleições de 2022. Lembrem que o guru do presidente Bolsonaro, o ex-presidente dos EUA, Donald Trump estimulou os milicianos a invadirem o Capitólio, resultando em vários mortes. E aqui, o que pode acontecer?

Continuaremos a andar para trás?

As minorias burguesas brasileiras jogarão todo o peso político, usando de violência, se necessário,  para que não mude o regime capitalista brasileiro. Este é essencialmente submetido a interesses estrangeiros, principalmente os dos Estados Unidos. Buscam manter condições para que os trabalhadores e os pobres não se tornem politicamente organizados para lutarem por seus direitos fundamentais, que é viver decentemente e com liberdade. Usam os seus canais conservadores de tv, rádio, jornais e revistas, incluindo parte dos meios controlados por religiosos, para continuar a manipulação das pessoas e  utilizam-se de  líderes religiosos fundamentalistas para incutir na população ideias e posições contrárias à democracia e à liberdade. Continuam a propagar, incessantemente que Jair Bolsonaro e suas milícias são o futuro quando, de fato, realizam o trabalho sujo, promovendo a violência contra o mínimo de liberdade e de democracia que temos.

                                                                                    Aracaju, 17 de abril de 2021.